quinta-feira, 24 de abril de 2014

Qual o problema se o dançarino "DG" sentia saudades do traficante "Cachorrão"?

Por Pedro Ariel - pedroariel01@gmail.com

Cada um segue o rumo que quiser de acordo com a oportunidade que tiver na vida. Nas comunidades carentes, os sonhos são mais limitados, de menor acesso, mas não que os seus habitantes não possam sonhar. O dançarino Douglas Rafael teve a oportunidade ou, talvez, o dom (para quem acredita) de ser artista (ator e dançarino). E provavelmente cresceu com muitos amigos, soltando pipa, jogando futebol e brincando de pique. Porém, nem todos têm ou tiveram os mesmos sonhos, acessos e oportunidades. 

O jogador de futebol Adriano, revelado pelo Flamengo e com passagens pela seleção brasileira e pela Europa, disse em entrevista que nunca iria deixar de cumprimentar um amigo de infância, ao voltar à Vila Cruzeiro, pelo fato do mesmo estar portando um fuzil. E isso fica como um bom exemplo para quem está questionando a suposta saudade que Douglas sentia de seu amigo traficante

Como não sentir saudades de alguém que brincou, sorriu e cresceu ao seu lado? Parece até que alguns estão tentando associar Douglas ao tráfico, como tentativa de acobertar o péssimo e infeliz trabalho da única instituição do governo que sobe as favelas. Pois além do dançarino, tivemos mais duas mortes por tiros durante o protesto em Copacabana, na comunidade do Pavão-Pavaozinho, onde ainda teimam em dizem que é pacificada. E vale ressaltar que o tráfico não é emprego, não é serviço, não é ocupação e não é saída para você que trabalha de carteira assinada, teve acesso a arte, ao conhecimento, tem o que comer e tem o que dar para os filhos comerem e sorrir. 

Para quem está passando fome, desempregado e vendo o filho chorar (não é chorar porque não tem um PS4, é chorar de fome), o tráfico é jogo. E muito jogo! Não que eu esteja fazendo apologia ao tráfico. Estou apenas lembrando que o tráfico é saída sim, no país que ocupa os primeiros lugares no ranking da desigualdade social.

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