Por Paulo Macedo Junior
O Rio de Janeiro está, mais uma vez, recebendo tropas federais para, em princípio, ajudar o processo de pacificação do Complexo da Maré. É a sexta vez, desde o início do primeiro mandato do governador Sérgio Cabral que a atuação das forças federais são solicitadas. Na última vez, como todo carioca deve lembrar bem, as tropas foram utilizadas durante a ocupação do Complexo do Alemão. Aliás, não somente o carioca, mas todo o país ficou impressionado com as imagens de blindados subindo o morro e bandidos fugindo pela mata. Essas imagens são datadas de 2010. Mas hoje, quase quatro ano depois, o que a pacificação trouxe ao Complexo do Alemão?
O Rio de Janeiro está, mais uma vez, recebendo tropas federais para, em princípio, ajudar o processo de pacificação do Complexo da Maré. É a sexta vez, desde o início do primeiro mandato do governador Sérgio Cabral que a atuação das forças federais são solicitadas. Na última vez, como todo carioca deve lembrar bem, as tropas foram utilizadas durante a ocupação do Complexo do Alemão. Aliás, não somente o carioca, mas todo o país ficou impressionado com as imagens de blindados subindo o morro e bandidos fugindo pela mata. Essas imagens são datadas de 2010. Mas hoje, quase quatro ano depois, o que a pacificação trouxe ao Complexo do Alemão?
O Ibase (Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) publicou um artigo em
sua página com uma estatística, no minimo, curiosa: o Complexo do
Alemão possui mais bases da UPP que escolas. Vamos refletir sobre
como este dado atinge o cidadão. Talvez, para o cidadão de
classe-média - que vê de longe - traga uma (verdadeira?) sensação
de segurança. Porque a presença do polícia afugenta os criminosos
e torna a área mais aprazível e tranquila (o que também não é
verdade, mas isso fica pra outra oportunidade).
Todavia, e para o cidadão que vive no Complexo? O que essa militarização significa? Existe a necessidade de manter este efetivo na comunidade? Ou melhor, a manutenção deste efetivo trará algum benefício permanente? Talvez isto tenha sido uma solução para manter uma boa imagem da cidade durante alguns dias de Jogos Pan-Americanos, durante alguns dias de Rio+20, durante a visita do Papa, ou durante as gravações de uma novela. Mas, certamente, não é solução para o morador da comunidade.
Todavia, e para o cidadão que vive no Complexo? O que essa militarização significa? Existe a necessidade de manter este efetivo na comunidade? Ou melhor, a manutenção deste efetivo trará algum benefício permanente? Talvez isto tenha sido uma solução para manter uma boa imagem da cidade durante alguns dias de Jogos Pan-Americanos, durante alguns dias de Rio+20, durante a visita do Papa, ou durante as gravações de uma novela. Mas, certamente, não é solução para o morador da comunidade.
Construir um
teleférico não é um benefício para quem nem possui saneamento
básico. As obras do tão falado PAC estão paradas, e a maior parte
da população do Complexo do Alemão continua sem receber uma melhoria sequer. Somente vê fardas e armas. Porém, não me recordo de já ter visto algo sendo construído com pé na porta e arma na mão.
O que o Complexo do Alemão precisa são serviços que
atendam a necessidade do cidadão que lá vive. O Complexo do Alemão
precisa de acesso à cultura, saúde e educação. Precisa ver além da força bruta do Estado. E mais do que
tudo, a comunidade precisa ter sua voz ouvida. E quase quatro anos
após a ocupação, nada disso foi realizado. As forças de segurança
tratam a comunidade como uma criança que não tem poder de decisão
e/ou escolha. Mesmo recentemente, quando o Complexo volta a ter
problemas, o discurso dos governantes é sempre sobre aumentar o
efetivo militar, e nunca em ir ao cerne da questão, nunca trabalhar no sentido de amenizar as desigualdades sociais que estimulam a violência.
Quase quatro anos depois da pacificação, muito pouco foi feito para os moradores do Complexo do Alemão. Nada que justificasse todo o aparato utilizado. Hoje, exatamente o
mesmo processo está se repetindo no Complexo da Maré. E amanhã
irá para outro Complexo, outra favela sem voz, sem direitos. Assim, o
triste ciclo se mantém. Para benefício de quem?
Muita boa reflexão (Romário) Paulo. Infelizmente essa é a realidade das pessoas que vivem nesses locais e nada é feito!
ResponderExcluir